Foi dessa vontade que surgiu Rastros na Floresta de Pedra. Quando Ícaro Meire desaparece sem deixar rastros, seu melhor amigo, Gabriel Baldan, começa uma busca por respostas. O que parecia ser apenas um desaparecimento o conduz a uma São Paulo oculta sob o concreto, onde criaturas que muita gente chama de lenda continuam vivas, e nem todas querem ser encontradas.
Eu não queria apenas pegar personagens do folclore brasileiro e colocá-los dentro de uma aventura. Queria imaginar como essas criaturas existiriam nos dias de hoje: por onde passariam, como sobreviveriam e o que aconteceria se seus rastros surgissem no meio de uma cidade que aprendeu a ignorar tudo aquilo que não consegue explicar. Pindorama Paranormal começou a crescer justamente nesse encontro entre o cotidiano e o impossível.
Ao seguir as pistas deixadas por Ícaro, Gabriel atravessa a cidade, o litoral e o interior paulista. Encontra corpos com marcas que nenhum laudo consegue explicar, uma criatura transformada em lenda urbana pela internet e uma mineradora cujo nome começa a aparecer onde não deveria. Mas Gabriel ainda não é um investigador. É apenas alguém assustado, curioso e teimoso, tentando salvar o melhor amigo enquanto descobre que também faz parte daquele mundo.
Talvez seja por isso que Pindorama Paranormal seja tão pessoal para mim. Esse universo nasceu do desejo de olhar para o Brasil com mais imaginação, mas também com mais respeito. Aqui, as lendas não são apenas enfeites ou monstros colocados na história para assustar. Elas carregam memória, território e as diferentes maneiras que nossos povos encontraram para compreender aquilo que não cabia em explicações simples. A magia não veio de fora. Ela já estava aqui.
No fim, Pindorama Paranormal é uma história sobre amizade, desaparecimentos e segredos escondidos sob o concreto, mas também é um convite. Um convite para seguir os rastros ao lado de Gabriel e olhar com um pouco mais de atenção para as ruas, as sombras e os silêncios ao nosso redor. Afinal, quantos segredos podem existir sob o concreto de uma cidade? E se as nossas lendas nunca tivessem desaparecido, mas apenas aprendido a viver fora dos nossos olhos?
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